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História do Sindicato

"Aos nove dias do mês de fevereiro, do ano de mil novecentos e oitenta e nove, às dezoito horas, em terceira e última chamada, nas dependências do Clube Atiradores Santamariense, realizou-se uma Assembleia Geral dos servidores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que fazem parte da jurisdição da diretoria regional de Santa Maria/RS, tendo como ordem do dia: Aprovação de Estatutos e Fundação do Sindicato  dos  Trabalhadores  da ECT/DR/SMA". Essa é a descrição que ainda hoje se encontra no livro de atas do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Santa Maria (SINTECT-SMA), e que mostra o início dessa caminhada que em 2009 completou 20 anos.

Naquela assembleia, que foi presidida por Guilherme Cosseres Amorim, também foi escolhida uma comissão de elaboração da minuta de estatuto da entidade sindical recém criada. Entre os membros dessa comissão: Manoel Ozório de Menezes Flores, Sérgio Strazulas, Luiz Carlos Campos, Berenice Guez da Silva, Wilson Guido Trapp, Ester Consuelo Flores de Castro e, ainda, a colaboração de Marcos Nunes Calixto. Contudo, a caminhada não iniciara na assembleia de fundação do sindicato e nem terminaria ali.

O processo de organização dos trabalhadores da ECT começou no início dos anos 80. Em pleno regime militar, a Associação dos Servidores (ASECT) cumpria o papel de organizar os funcionários para eventos de lazer, jogos, mas também representou o embrião do que viria a ser o instrumento de luta da categoria até os dias de hoje: o sindicato.

Naqueles idos de 1980, em pleno governo autoritário, a situação não era fácil. A tentativa de fundar a Associação dos Servidores dos Correios reuniu não mais que 20 pessoas. Entretanto, esse processo de organização ocorria em todo o país. No ano de 1985, já na Nova República, ocorre a primeira greve dos Correios, no Rio de Janeiro. A luta dos trabalhadores se intensifica em favor de melhores condições de trabalho. Em Santa Maria não há clima para greve nos Correios. Entretanto, as sementes plantadas ao logo dos anos rendeu a primeira experiência de um movimento paredista no ano de 2003.

E colaboraram para ampliar a consciência dos trabalhadores movimentos como o que foi idealizado em 1986. Naquele ano, as lideranças da Associação propuseram uma forma alternativa para paralisar as agências dos Correios: uma campanha de doação de sangue. Entre os que encabeçavam esse movimento, Eron Rodrigues e Guilherme Amorim.

Até o ano de 1988, trabalhar no serviço público ou empresas ligadas à área pública significava conformar-se, por exemplo, com o fato de não poder criar sindicatos em defesa das diferentes categorias. Era o que acontecia com os funcionários da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos). A sindicalização não era permitida e, os trabalhadores, encontraram como alternativa criar as associações, que acabaram se constituindo em personalidade jurídica, mas que do ponto de vista legal, não permitia que fossem deflagrados movimentos grevistas.

E, por outro lado, fazia com que aqueles que atuavam nessas entidades para pressionar as gerências e direções regionais, acabassem sendo vistos com maus olhos, como uma espécie de baderneiros
A campanha salarial dos servidores das ECT baseou-se, em seu início como sindicato, nas lutas empreendidas pelos funcionários do Banco do Brasil. Era um período complexo, pois além de estarem engatinhando na construção das lutas da categoria, enfrentavam situações como as altas taxas inflacionárias, que corroíam diariamente os salários e dificultavam a negociação dos índices de aumento. No início da década de 1990, os trabalhadores de todo o país, em especial do setor público, tiveram um inimigo a mais a enfrentar: o governo Collor, que resolveu desmontar a máquina pública sob o argumento neoliberal de que o Estado era muito pesado.

Milhares de trabalhadores de empresas estatais foram simplesmente demitidos da noite para o dia.
De 2003 para cá, os trabalhadores dos Correios recuperaram boa parte das perdas salariais, com acordos coletivos prevendo a reposição quase sempre acima da inflação. Além disso, uma importante vitória foi obtida em 2008, quando foi incorporado um adicional de 30% ao vencimento dos carteiros. Esse mesmo percentual havia sido negociado no ano de 2000 com o presidente FHC, mas acabou vetado sob o argumento de ser inconstitucional. Também são frutos da pressão do sindicato e da sensibilidade do governo, os avanços na negociação em cima do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), que passou a ser implementado após 14 anos. Uma outra conquista importante se refere à PLR (Participação nos Lucros e Resultados) da empresa. Somente a partir de 2004 é que os trabalhadores passaram a se inserir nessa discussão, também como efeito da atuação sindical.

De camarote não, a luta é aqui no chão. A frase emblemática proferida em centenas de passeatas de trabalhadores justifica a compreensão de que os grandes embates são travados na base. Por isso, a necessidade de qualificar-se o trabalho sindical e a relação com a categoria na base do sindicato. E isso que as diretorias mais recentes têm procurado fazer. Além de aperfeiçoar instrumentos de comunicação, como o site, que já teve 60 mil visitas e o jornal sindical, publicado bimestralmente, a diretoria tem procurado melhorar cada vez mais a sua infra-instrutora. Depois de adquirir um veículo Focus, em 2007, também está nos planos a aquisição de uma sede um pouco mais am­pla. Com o propósito de facilitar cada vez mais a vida do filiado, o sindicato também tem estabelecido convênios com hotéis e pousadas para acessível a todos. Mas, o objetivo é ir ainda mais além.

Um sindicato não pode resumir sua atuação em lutar para garantir um salário melhor ao associado. No caso de um sindicato de trabalhadores de uma empresa pública, que cumpre um papel social relevante, é essencial a busca da inserção da entidade junto às reivindicações da comunidade. E, para essas lutas, o SINTECT-SMA também tem se mobi­lizado. Alguns exemplos são a campanha do agasalho que a entidade realiza anualmente na estação fria e a articulação política junto aos vereadores e à prefeitura para reativar a agência dos Correios no bairro Tancredo Neves ou mesmo garantir a entrega de correspondências no bairro Nova Santa Marta. Mas, sobretudo, a qualificação das lideranças sindi­cais é fundamental em todo esse processo. E a participação ativa e produtiva em cursos de formação que garantirá que no futuro o sindicato permaneça vivo e atuante.

A mobilização dos trabalhadores e a pressão do sindicato garantem não apenas a recuperação da defasagem salarial, um plano de cargos e salários e mesmo a participação nos lucros. As vitórias podem se dar em coisas que parecem pequenas para alguns, mas que possibilitam melhor qualidade de vida aos trabalhadores. Um exemplo disso é o limite no peso que cada funcionário pode carre­gar na mochila. Antes do ano 2000 não havia limite ao que cada um carregava. Na campanha salarial de 1999/2000, pela primeira vez se conseguiu que fosse estabelecido para os homens o peso de 15kg e, para as mulheres, 12kg. Entre os anos de 2004 e 2005, novo avanço: o peso caiu para 1 Okg aos homens e 8kg às mulheres. Nas negociações entre a representação sindical e a ECT, outros avanços têm sido importantes para a categoria. Vamos a alguns deles: